Com a alta da Selic, os títulos públicos costumam ficar atrativos pelo retorno e segurança que esses títulos oferecem, porém é importante que você se atente para questões como marcação a mercado e tributação, já que esses fatores alteram diretamente o retorno do título.
Foi pensando em abordar possíveis dúvidas de investidores que preparamos este artigo, visando te auxiliar em questões que são muito importantes a serem consideradas antes de investir nestes títulos. Boa leitura!
O que é o Tesouro prefixado?
O Tesouro prefixado é um título da renda fixa em que o retorno já é definido na contratação. Dessa forma, ao fazer a aplicação você já pode saber qual será seu rendimento final quando o título vencer. Diferente dos títulos pós-fixados que até o final da aplicação seu rendimento é determinado por uma taxa atrelada ao título, como é o caso da Selic e o IPCA, o Tesouro Prefixado oferece uma taxa fixa de retorno.
É importante mencionarmos que a rentabilidade só irá se concretizar na data de vencimento do título, se o investidor por algum motivo precisar retirar o dinheiro investido antes do período estipulado, ele perderá parte da rentabilidade e poderá ter até um prejuízo devido à marcação a mercado. Por isso, vender o título antes do vencimento pode não ser uma boa ideia, sempre busque investir o dinheiro que você não precisará no curto prazo.
Os dois tipos de Tesouro prefixado
Agora que você já entendeu como ocorre o rendimento dos títulos prefixados, é hora de aprender sobre os dois tipos de Tesouro prefixado.

Tesouro prefixado (LTN)
LTN é a sigla dada para a Letra do Tesouro Nacional, termo que é menos usado no mercado financeiro. Nestas letras, uma vez que você investe o dinheiro, ele ficará lá rendendo juros e você poderá ter acesso a ele na data de vencimento ou caso faça um resgate antecipado.
Tesouro prefixado com jutos semestrais
NTN-F é a sigla da para a Nota do Tesouro Nacional Série F ou como é comumente chamado: Tesouro prefixado com juros semestrais. Diferentemente da LTN, esses títulos pagam juros a cada seis meses (semestral) para o investidor, o que concede uma espécie de “renda extra” a cada seis meses. A vantagem desses títulos é que não é preciso aguardar até o vencimento para retirar todo o seu dinheiro.
Uma dúvida que é muito comum para algumas pessoas é: mas se eu recebo parte dos juros a cada seis meses, eu não receberia menos juros pelo fato de haver menos dinheiro investido rendendo? Não! Os juros que você recebe são aqueles que você já iria receber se o capital completo ficasse rendendo. A única coisa que ocorre é uma antecipação desses juros.
Qual o investimento mínimo do Tesouro Prefixado?
Atualmente, o investimento mínimo no título é de R$ 30, o que torna o investimento acessível para todo investidor. Além disso, você pode fazer aporte todos os meses no mesmo título que você investiu, desde que respeite o valor mínimo de R$30.
Quais são as vantagens desse título?
Pensando em auxiliar os investidores que possuem interesse em investir neste título, listamos as principais vantagens que este título oferece. Confira:
Acessível à maioria dos investidores
Conforme dito acima, é possível realizar o investimento neste ativo a partir R$30, permitindo pessoas que não possuem grandes quantias de dinheiro possam investir nestes ativos. Outra questão interessante é a facilidade para investir na plataforma, pois com apenas alguns cliques já é possível fazer a aplicação.
Liquidez
Essa é uma das grandes vantagens dos títulos públicos! Todos eles oferecem alta liquidez caso você opte por retirar seu investimento. Essa liquidez é diária, isto significa que você terá seu dinheiro imediatamente que vender seu título ou no próximo dia útil caso opte por vender nos finais de semana ou feriados.
Essa recompra é garantida pelo próprio Tesouro Nacional. Este é um dos motivos dos títulos públicos serem sempre aconselhados para investidores que desejam montar sua reserva de emergência, já que sem grandes dores de cabeça é possível ter seu dinheiro de volta. Entretanto, é importante saber escolher o título correto para montar sua reserva de emergência, pois existe a possibilidade de você perder dinheiro para marcação a mercado, tema que ainda será tratado.
Segurança
Os títulos públicos federais estão entre as aplicações mais seguras do mercado financeiro. Para se ter problema, isto é, você não receber o rendimento prometido, seria necessário que o Governo aplicasse um grande calote e não honrasse com seus compromissos de dívida, perspectiva esta que só será alterada caso ocorra um colapso na economia, provocando grandes problemas em todos os setores da economia.
Portanto, a chance de você não receber o rendimento prometido na data de vencimento do seu título são extremamente baixas. Até o dia de hoje, não houveram problemas relatados por investidores sobre a falta de comprometimento do Tesouro Nacional, cenário esse que é possível caso você venha investir em alguns produtos de investimento de um pequeno banco, já que existem chances de ele não conseguir honrar com o compromisso do pagamento.
Quais são suas desvantagens?
Após citarmos todas as vantagens, é hora de alertarmos para os investidores algumas desvantagens de se investir nos títulos prefixados. Confira:
Marcação a mercado
Todos os títulos possuem um valor de mercado. Para melhor explicarmos este conceito, imagine que um investidor comprou um título no ano de 2021 com vencimento em 2024 que estava pagando 8% ao ano. Mas, passado um ano, os mesmos títulos agora estão pagando 10% ao ano. O que você acha que ocorreu com o preço do título do investidor que comprou em 2021? Pois é, desvalorizou!
Isso não significa necessariamente que ele terá prejuízo, ele ainda receberá os 8% ao ano desde que carregue o título até a data de vencimento. Se por algum motivo, o investidor precise se desfazer desse título antes do vencimento, ele precisará vender ao preço de mercado e se esse preço for inferior ao que ele comprou na hora que investiu, ele acabará tendo um prejuízo.
Mas fique tranquilo, a marcação a marcado só altera o rendimento de quem precisa vender o título antes do vencimento. Se você estiver investindo pensando em manter o dinheiro até o prazo de vencimento, não precisará se preocupar com estas questões e terá o seu retorno prometido garantido até o final da aplicação.
Taxa de custódia
Apesar da maioria das corretoras oferecerem isenção de taxas de administração para investir em títulos públicos, existe ainda a taxa de custódia que é cobrada pela Bolsa de Valores (B3). Desta taxa a maioria dos investidores não conseguem fugir e é cobrada a cada seis meses para cobrir despesas com custódia dos títulos que ficam em conta durante o período de investimento.
Imposto de renda
Além disso, existe a cobrança de dois tipos de impostos. O primeiro é o Imposto Sobre Operações (IOF) que incide sobre seu rendimento caso você faça o resgate do título em até 30 dias da aplicação.
O segundo é o Imposto de Renda regressivo sobre rendimento. A taxa varia de acordo com seu tempo de permanência no título e é dada pela seguinte tabela:
| Prazo de Investimento | Alíquota de IR |
|---|---|
| até 6 meses | 22,50% |
| 6 meses a 1 ano | 20,00% |
| 1 a 2 anos | 17,50% |
| acima de 2 anos | 15,00% |
Será que vale a pena investir?
O primeiro passo é definir seu perfil: se você é um investidor que prefere a segurança e possui objetivos de médio a longo prazo, talvez este título seja para você. Caso possua um dinheiro que irá precisar no curto prazo, busque evitar ao máximo investir nestes títulos, pois como dito acima se por algum motivo você precisar vender o título antes do vencimento, estará sujeito a marcação a marcado, o que pode causar perdas.
Portanto, o Tesouro prefixado é um título que é indicado para quem:
- Quer segurança, pois é um título assegurado pelo governo federal;
- Quer saber corretamente a rentabilidade final e data de vencimento;
- Ter facilidade para aplicar e resgatar;
- Não possui muito dinheiro, pois o investimento mínimo é R$30
Contudo, sempre é importante ficarmos de olho para rentabilidade líquida e não a nominal, ou seja, você ainda tem que descontar possíveis taxas e tributos. Além disso, é importante sempre olharmos o retorno considerando o desconto da inflação. Imagine que um investidor comprou um título prometendo 10% ao ano, mas após 12 meses a inflação no período foi de 10%, isto significaria que ele teria um ganho real de 0, isto é, ele manteve o seu poder de compra mas não teve ganhos em termos reais.
Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.





