Muitos investidores buscam melhores retornos do que os oferecidos pela renda fixa investindo em ações. Esses retornos acabam atraindo muitas pessoas inexperientes, que não estão preparados para investir em renda variável, resultando em perdas financeiras.
Aprender a investir corretamente na bolsa é fundamental para construção de um bom retorno neste mercado, tendo sempre foco no longo prazo, já que no curto prazo as ações costumam ser influenciadas por notícias que muitas vezes podem ser motivadas por interesses de terceiros apenas para gerarem alteração no preço da ação.
Mas tudo isso será abordado adiante nesse texto, fique tranquilo! Com esse guia você poderá dar seus primeiros passos no mercado financeiro da forma correta. Boa leitura!
O que são ações?
Ações são as menores “partes” de uma empresa. Ao entrar na Bolsa de Valores, os sócios da empresa vendem uma parcela da sua participação do negócio e essa parcela é disponibilizada para pessoas que possuem interesse em investir na empresa venham a se tornarem sócios.
Geralmente, não é todo capital que é disponibilizado sob forma de ações na bolsa. É comum encontrarmos empresas que abrem 49% do seu capital na bolsa e outros 51% ficam com quem fundou a empresa ou é figura fundamental do negócio por entender a lógica do mercado que a empresa está inserida. Um exemplo é a ação da Ambipar (AMBIP3), onde o dono do negócio ainda possui cerca de 56% da empresa e o outro restante é divido entre sócios minoritários e os acionistas em geral que possuem a ação.
Ao comprar ações de uma empresa, os investidores podem ganhar dinheiro de duas formas: com a valorização do preço, vendendo por um valor superior ao que comprou ou com dividendos que são lucros distribuídos para os acionistas pela participação no capital da empresa.
Os tipos de ações
Quando você for comprar suas primeiras ações, perceberá que existem diferentes classes. Dentre as mais comuns, temos algumas terminando com o número 3, outras com 4, outras com 11 e com a letra F. Mas o que isso significa? Confira cada uma:
- Ações ordinárias (ON): essas ações oferecem direito ao voto para o investidor e participação nas tomadas de decisões da empresa, desde que ele possua posição relevante de ações. Essas ações negociam com o código terminado por 3, como PETR3, por exemplo.
- Ações preferenciais (PN): essas ações oferecem preferência na hora de receber participação no lucro da empresa, que é concedido sob forma de dividendos e juros sobre capital. Essas ações negociam com código terminado por 4, como é o caso da PETR4.
- Certificado de depósito de ações (Unit): essas ações oferecem uma espécie de “pacote de ações”. Geralmente, as Units são uma junção de ações preferenciais e ordinárias, ou seja, você compra o conjunto em um único ativo. Um exemplo é o Santander que negocia com o código SANB11.
- Ações fracionadas: as ações fracionadas são vendidas em pequenos lotes que você mesmo pode definir. O mercado padrão negocia lotes de 100 ações, ou seja, se uma ação custa R$10, o investimento mínimo é R$1.000 (100×10). Com o mercado fracionário, você pode comprar apenas 1, 2, 15, quantas ações quiser, o que permite um investimento inicial menor. Essas ações possuem código acrescidos da letra F, por exemplo, PETR3F (ação ordinária da Petrobras negociada no mercado fracionário). É importante lembrar que o mercado fracionário costuma ter preços maiores pela baixa liquidez.
Estratégias de investimento em ações
Existem diversas estratégias para investir em ações e ganhar dinheiro, algumas são focadas para o curto prazo, operações que são chamadas de day trade e swing trade, ou aquelas são focadas no longo prazo, chamadas de buy and hold. Vamos explicar cada uma delas:
Curto prazo
Não existe um “prazo definido” para considerarmos se a operação é de curto prazo ou não, mas elas costumam durar entre 1 dia e no máximo alguns meses. Operações que duram apenas 1 dia são chamadas de day trade. Aqui, os investidores apenas compram a ação pensando em lucro rápido e no mesmo dia fecham a posição antes que se encerre as operações no mercado.
Quem faz operações day trade está sujeito a uma tributação diferente das outras duas estratégias que veremos a seguir. Neste tipo de operação o investidor deverá pagar 20% de imposto sobre o lucro realizado no mês, independente do valor que tenha negociado. Se ele tiver prejuízo, poderá usá-lo como desconto na hora de contabilizar os ganhos, pagando menos impostos.
Outra operação de curto prazo é o swing trade. A partir do segundo dia segurando a posição, já podemos defini-la como uma operação swing trade. Não é necessariamente o tempo que define o nome da operação e sim sua tributação. Diferente do day trade, o swing trade possibilita isenção de pagamento de imposto para vendas de até R$20.000,00 no mês e caso ultrapasse valor seja maior, o investidor deverá pagar 15% sobre o lucro.
Médio e longo prazo
Aqui se concentram os investidores que estão realmente dispostos a investir na empresa pensando em seu desempenho, pois os resultados da empresa terão ligação direta com o retorno do investidor no longo prazo. Apesar do preço sofrer alguns efeitos no curto prazo, como influência política, notícias, problemas de interesse, etc., no longo prazo o preço da ação seguirá o lucro da empresa, por isso é tão importante investir em boas empresas e que lucram.
Um dos motivos para os investidores optarem por estratégias de médio e longo prazo é que eles ficam “imunes” a efeitos de curto prazo, como, por exemplo, uma declaração de um governante que venha a impactar o mercado, reduzindo o preço das ações em determinado dia, mesmo que o fundamento da empresa não tenha se alterado em nada. Mas ao decidir investir pensando no longo prazo, ao olhar para o horizonte de tempo, é muito provável que essa declaração não tenha efeito algum sobre seu retorno, sendo apenas uma distorção de preço no curto prazo.
Outro benefício para quem investe em ações pensando no médio/longo prazo é o pagamento dos dividendos. Empresas que dão lucro consistentemente e são sólidas, costumam distribuir bons dividendos e juros sobre capital próprio, o que aumenta ainda mais o retorno do investidor, pois seu retorno será dado pela possível valorização somada com os dividendos pagos em todo o período.

Vantagens de investir em ações
A seguir, listamos algumas características que fazem com que as ações sejam bons ativos para você investir:
- Melhor rentabilidade: com os investimentos em renda fixa pagando pouco, os investimentos em ações são uma possibilidade para quem quer conseguir um melhor retorno sobre o capital investido, porém com risco maior;
- Distribuição de proventos: como dito acima, as empresas que dão lucro costumam distribuir parte desse lucro com seus acionistas, o que garante uma renda extra para os investidores;
- Baixo investimento mínimo: graças ao mercado fracionário, você pode começar a investir com o valor de 1 real ou até menos se encontrar uma ação por preço menor que esse;
- Liquidez: As ações listadas na bolsa oferecem uma boa liquidez para aquele investidor que deseja se desfazer do seu investimento. Mas é importante analisar a liquidez de cada ação antes de investir, para evitar que você fique preso em um ativo pela falta de compradores interessados em comprar de você.
Desvantagens e riscos
Agora que você já conhece as principais vantagens de se investir em ações, vamos às desvantagens:
- Risco: como as ações são investimentos de renda variável, existem riscos de que você perca parcela do seu dinheiro investido conforme a ação se desvalorize, por isso é importante estudar sobre cada empresa antes de investir;
- Tributação: conforme dito acima, caso você execute uma operação day trade, precisará pagar 20% do lucro sob forma de imposto. Já para swing trade a situação é melhor, com isenção até R$20.000 em vendas e caso ultrapasse, 15% de imposto sobre o lucro;
Passo a passo para você começar investir em ações
A seguir, separamos 5 dicas para você começar com pé direito investindo em ações. Confira cada uma delas:
- Definir seu perfil de investidor: existem, basicamente, três perfis de risco para o investidor: conservador, moderado e arrojado. Se você não suporta correr riscos e prefere a segurança da renda fixa, provavelmente você está inserido no perfil conservador. Caso você esteja disposto a correr um pequeno risco, mas não abre mão de rendimentos garantidos, então o seu perfil é moderado. Por fim, se você gosta de correr riscos para obter melhores retornos, o seu perfil de investidor é arrojado.
- Abrir conta em uma corretora: para investir na bolsa, o investidor precisa ter conta em uma instituição financeira autorizada para realizar administração e custódia dos ativos, estando assim liberada para receber ordens de compra e venda de ações e executar as operações na B3. Sempre busque avaliar quais são as taxas cobradas pelas corretoras, pois existem algumas que isentam o investidor de qualquer taxa de corretagem ou custódia, enquanto outras ainda cobram para fazer esse serviço.
- Definir sua estratégia: conforme dito acima, existem algumas estratégias que cada investidor pode escolher na hora de investir em ações: curto prazo e longo prazo. Dependendo da estratégia, ela acabará exigindo mais tempo e estudo por parte do investidor, como é o caso do day trade, onde o investidor precisa estar sempre atento aos gráficos e as cotações para conseguir ganhar dinheiro.
- Transfira o dinheiro: agora que você já possui uma conta e estratégia definida, é hora de transferir o seu dinheiro para corretora. Lembre-se que o valor que você irá investir deverá estar de acordo com seu perfil de investidor. Nunca invista dinheiro emprestado ou dinheiro que você poderá precisar no curto prazo.
- Escolha suas ações e comece a investir: por fim, é hora de você realmente investir! Defina qual ação na sua opinião possui uma boa perspectiva para o futuro e realize a compra! Boas negociações!
Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.





