Gestora Change Global pretende ampliar sua exposição ao Brasil, indo na contramão do mercado
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O cenário atual da economia global e as oportunidades emergentes têm levado a gestora Change Global Investment a realizar mudanças significativas em sua carteira de investimentos. Com sede em Washington, a gestora anunciou um plano audacioso: pretende duplicar sua alocação em ações brasileiras até o final do ano, enquanto reduz sua exposição ao mercado chinês. A decisão reflete uma estratégia voltada para aproveitar as oportunidades percebidas no Brasil, onde a avaliação das ações se encontra entre as mais baixas do mundo emergente.

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Thea Jamison, diretora administrativa da Change Global, expressou otimismo em relação ao mercado brasileiro. Em declarações feitas durante uma entrevista em São Paulo, ela destacou que as atuais condições de valuation tornam o Brasil um lugar atrativo para investimentos. “Hoje, não vejo nada parecido com o que estamos observando no Brasil em outros lugares do mundo”, afirmou Jamison, destacando a singularidade do cenário econômico brasileiro.

A Situação do Mercado Brasileiro

A decisão da Change Global Investment surge em um momento em que o mercado brasileiro enfrenta desafios significativos. Os investidores estão cada vez mais céticos em relação ao compromisso do governo com a gestão do déficit orçamentário, o que impacta a confiança no país. Em 2024, os ativos brasileiros enfrentaram dificuldades, posicionando-se atrás dos principais mercados no desempenho. O real, por exemplo, sofreu uma desvalorização de 21% em relação ao dólar, enquanto o índice Ibovespa caiu 10%.

Além disso, as avaliações das ações brasileiras são notavelmente baixas. O Ibovespa está sendo negociado a 6,79 vezes os lucros projetados, contrastando com a maior proporção de 11,72 registrada para o indicador MSCI, que representa ações de mercados emergentes. Esse desconto para as ações brasileiras atingiu níveis que não eram vistos há quase duas décadas, principalmente em janeiro deste ano. No entanto, um aspecto positivo para os investidores é o dividend yield do índice, que está em 7,45%, com muitas empresas aumentando seus pagamentos aos acionistas. Essa combinação de avaliação atraente e alta rentabilidade em dividendos torna o Brasil um ativo interessante, conforme afirmado por Jamison.

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Estratégia de Investimento e Oportunidades Futuras

Jamison especificou algumas áreas que despertam seu interesse ao olhar para as oportunidades de investimento no Brasil. Ela tem uma preferência por ações de exportadores, que se beneficiam de uma moeda mais fraca, mostrando-se como uma proteção (hedge) contra empresas que estão mais expostas ao mercado interno, como varejistas e fornecedores de serviços alimentícios. Um exemplo citável é a Alpargatas, que está prevista para começar a pagar dividendos até o final do ano, aumentando ainda mais o interesse dos investidores.

Entretanto, o clima pessimista entre os investidores locais, juntamente com os resgates significativos observados em todo o setor de fundos devido ao aumento das taxas de juros, contribuiu para um sentimento de apreensão. Os investidores estrangeiros têm retirado seus recursos, com um total de US$ 5,3 bilhões em ações locais sendo vendidos. Essa dinâmica levou a uma subalocação de investimentos no Brasil, especialmente em comparação com a Argentina, que, apesar de ser um mercado menor, possui uma participação equivalente no portfólio de Jamison.

Perspectivas para o Mercado Financeiro Brasileiro

A diretora da Change Global deixou claro que, embora a dívida do Brasil deva “subir antes de cair”, existem discussões em andamento para implementar medidas que ajudem a controlar essa situação. “Não acredito que a realidade seja tão negativa quanto o mercado retrata”, destacou Jamison. Essa perspectiva sugere que, apesar das dificuldades atuais, há uma crença fundamentada na capacidade do Brasil de superar seus desafios econômicos.

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Além disso, Jamison não está limitando sua análise a apenas o Brasil. Ela também menciona o interesse por valuations atrativas em mercados emergentes, como a Arábia Saudita e a Argentina. Em um movimento estratégico, a Change Global Investment está se afastando da China, que atualmente representa 12% de seu portfólio, em resposta a mandatos de alguns estados dos EUA que requerem a redução da exposição ao mercado chinês.

Ao focar suas energias em mercados mais descontados e em potencial crescimento, a Change Global Investment parece estar bem posicionada para tirar proveito das oportunidades emergentes, especialmente no Brasil. A evolução desse cenário será observada de perto por investidores e analistas em todo o mundo.

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Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Por que a Change Global Investment decidiu aumentar sua alocação em ações brasileiras?

A Change Global Investment acredita que o valuation das ações brasileiras está extremamente baixo em comparação a outros mercados emergentes, o que oferece uma oportunidade de investimento atraente. A gestora pretende aumentar sua exposição ao Brasil de 7% para 15% até o final do ano.

2. Quais são os principais desafios enfrentados pelo mercado brasileiro atualmente?

O mercado brasileiro lida com incertezas relacionadas ao compromisso do governo em controlar o déficit orçamentário, além de uma desvalorização significativa do real em relação ao dólar e uma queda no índice Ibovespa.

3. Quais setores a gestora Change Global Investment considera mais promissores no Brasil?

A gestora tem uma preferência por ações de exportadores, que se beneficiam de uma moeda enfraquecida, e também está interessada em empresas que preveem aumentar o pagamento de dividendos, como a Alpargatas.

4. Como a situação da dívida brasileira impacta as perspectivas de investimento?

Embora a dívida do Brasil deva aumentar antes de começar a diminuir, a Change Global Investment acredita que existem discussões em andamento para controlar essa situação. Isso sugere um potencial para melhorias futuras no ambiente econômico do Brasil.

5. Por que a Change Global Investment está reduzindo sua exposição à China?

A gestora está se afastando da China devido a mandatos de alguns estados dos EUA que pedem a redução da exposição a esse mercado e também por buscar oportunidades em mercados emergentes considerados mais descontados e com maior potencial de crescimento.

Sobre o autor

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Carlos Felipe

Economista e fundador do site Educa Meu Dinheiro. Apaixonado por educação financeira e investimentos

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