Cripto: é o momento de aproveitar a oportunidade ou estamos em um bear market?
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A pandemia causou um grande impacto em diversos aspectos na vida cotidiana, e um dos episódios mais marcantes foi a corrida aos supermercados para garantir itens essenciais, como o papel higiênico. Esse comportamento é um reflexo natural diante da percepção de escassez. Atualmente, muitos investidores estão se perguntando se é o momento certo para adicionar renda fixa às suas carteiras, especialmente títulos prefixados ou atrelados ao IPCA, com o objetivo de “travar” taxas em níveis superiores à média histórica.

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Neste artigo, vamos explorar essa questão e o que a história pode nos ensinar sobre a atual situação do mercado.

Contextualizando o cenário atual das taxas de juros

Atualmente, as taxas de juros no Brasil estão entre as mais elevadas dos últimos 20 anos, um fenômeno que remete ao período de 2015 e 2016, durante o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Naquele contexto, a economia brasileira enfrentava uma série de desafios que contribuíram para a desconfiança do mercado.

Em 2015 e 2016, o Brasil experimentava uma queda no PIB de 3,1% acumulada, enquanto a inflação superava a marca dos 10% ao ano. A relação entre a dívida bruta e o PIB aumentava significativamente, o que gerava preocupações sobre a capacidade do governo em lidar com essa situação. As incertezas quanto ao futuro da economia eram palpáveis e refletidas nas taxas de juros, com as NTN-Bs rendendo cerca de 7,8% e as taxas prefixadas alcançando valores alarmantes, como 16,6%.

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Analisando o passado para tomar decisões no presente

Entre agosto e outubro de 2015, por exemplo, as taxas de juros dos títulos prefixados com vencimento em 2018 dispararam de 12,8% para 16,7% ao ano. Esse aumento expressivo refletiu o pessimismo generalizado em relação à economia. Contudo, esse cenário sombrio começou a mudar a partir de 2016, com a troca de governo e uma percepção renovada de melhoria nas finanças públicas e na credibilidade fiscal.

Aqueles que decidiram assumir riscos e investiram em títulos prefixados (LTNs) ou ligados ao IPCA (NTN-Bs) durante esses tempos difíceis foram recompensados com uma valorização significativa nos anos seguintes. Essa experiência histórica levanta questões sobre as decisões de investimento que devemos tomar agora.

A situação atual das taxas de juros e suas implicações

Hoje, o Brasil se depara com taxas de juros semelhantes às de 2016, impulsionadas pela falta de confiança no governo e pela instabilidade econômica. A desancoragem das expectativas de inflação e o elevado custo da dívida pública são características que preocupam o mercado. A reputação do governo, que tem enfrentado desafios de popularidade, e a dificuldade de articulação política estão fazendo com que os investidores estejam cada vez mais atentos às próximas eleições de 2026.

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Embora não possamos prever exatamente o que acontecerá a seguir, é evidente que as taxas atuais estão altas em um contexto histórico. As taxas reais dos títulos IPCA+, que podem ser representadas pelo rendimento do IMA-B, estão substancialmente acima da média dos últimos oito anos, que foi de 4,8% ao ano. Por exemplo, entre o final de 2018 e o final de 2019, gerando um ambiente de maior otimismo, os juros reais das NTN-Bs caíram quase 3 pontos percentuais, resultando em valorizações reais de 29%.

Decidindo se é hora de estocar renda fixa

A reflexão sobre “estocar” renda fixa nas carteiras de investimento revela assimetrias que podem favorecer essa estratégia. Se o seu objetivo é manter os títulos até o vencimento, seja para assegurar uma aposentadoria tranquila ou outro planejamento de longo prazo, essa pode ser uma abordagem interessante.

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Entretanto, é importante ter cautela caso você acredite que o cenário político e econômico poderá se deteriorar ainda mais. Assim como no passado, esperar por uma visão mais nítida do futuro pode resultar em taxas ainda mais baixas. Cada investidor deve ponderar sua visão do futuro e tomar decisões com base nesse entendimento.

As oportunidades de investimento em um mercado de taxas promissoras não permanecem abertas para sempre. Diante desse cenário, vale a pena explorar as carteiras recomendadas da EQI Research e considerar onde pode ser mais vantajoso se posicionar.

Dúvidas Frequentes

1. O que significa “travar” taxas em renda fixa?

Travar taxas em renda fixa refere-se ao ato de garantir uma taxa de juros ao adquirir títulos, assegurando rendimentos fixos até o vencimento, independentemente de futuras flutuações nas taxas de juros do mercado.

2. Quais são os riscos de investir em renda fixa?

Os principais riscos incluem a possibilidade de perda de valor em caso de vendas antecipadas, variações nas taxas de juros que podem afetar o preço dos títulos e riscos de crédito do emissor.

3. Como as taxas de juros atuais se comparam com o passado?

Atualmente, as taxas de juros estão em níveis elevados, semelhantes aos observados em 2016, um período de crise econômica no Brasil, o que reflete desafios semelhantes enfrentados pela economia.

4. O que são NTN-Bs e LTNs?

NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional série B) são títulos públicos que pagam juros semestrais e têm seu rendimento atrelado à inflação, enquanto as LTNs (Letras do Tesouro Nacional) são títulos prefixados que pagam juros ao final do período.

5. É seguro investir em renda fixa atualmente?

Investir em renda fixa pode ser considerado seguro dentro das estratégias adequadas e desde que se tenha clareza sobre os objetivos de investimento, embora ainda haja riscos associados, principalmente em um cenário econômico incerto.

Sobre o autor

Lucas Martins

Contador, especialista em investimentos com certificado (CEA) e um apaixonado pelo mercado financeiro.
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