O verão é uma estação que traz consigo altas temperaturas, levando muitos a buscarem formas de se refrescar. Uma das opções mais populares é o ar-condicionado. No entanto, a escolha do modelo certo pode gerar dúvidas em relação a preço, instalação elétrica e economia de energia.
Neste artigo, discutiremos quais fatores considerar ao adquirir um ar-condicionado, apresentando as opções disponíveis no mercado, além de dicas para otimizar seu uso e reduzir o consumo de energia.
Custo do Aparelho e Economia a Longo Prazo
O engenheiro mecânico Gerardo Portela, da COPPE UFRJ, recomenda que o consumidor se planeje e compre um ar-condicionado antes do início do verão, já que os preços tendem a subir nesta época. Para aqueles que deixaram essa decisão para a última hora, ele oferece algumas orientações importantes. Um dos principais aspectos a se considerar é o selo de eficiência energética do aparelho. Em geral, quanto mais próximo da classificação A, melhor o desempenho energético do aparelho. Embora o investimento inicial do modelo A possa ser maior, a economia em contas de energia ao longo do tempo compensa essa diferença.
É fundamental escolher um aparelho com boa classificação no selo de eficiência energética, pois isso indica um uso mais racional da eletricidade. Essa classificação é um reflexo da tecnologia utilizada no produto, que tem como objetivo promover um consumo mais eficiente. Comparar o custo inicial do ar-condicionado e a economia que ele proporcionará em termos de energia ao longo dos meses é uma prática recomendada. Em uma residência com quatro pessoas e dois quartos, por exemplo, o ar-condicionado pode representar até 50% da conta de energia, se utilizado por cerca de 8 horas diariamente.
Entre as opções de ar-condicionado, o modelo split inverter se destaca. Embora o preço inicial seja mais elevado e sua instalação mais complexa, o aparelho proporciona uma economia significativa no consumo de energia ao longo do tempo. Portela considera este sistema ideal tanto para residências quanto para ambientes comerciais intermediários ou grandes condomínios. A eficiência do split inverter se faz notar quando o aparelho permanece ligado por longos períodos. Em situações em que o uso é esporádico, a economia pode não ser tão significativa.
Ar-Condicionado Split
O ar-condicionado split é conhecido por suas características eficientes e silenciosas. Ele é composto por duas unidades: uma interna, que contém o evaporador, e outra externa, onde se localiza o condensador. Apesar de sua popularidade, o modelo split exige um investimento inicial maior, principalmente por conta da instalação, que pode variar significativamente dependendo do local e da configuração da residência. Os preços desse modelo variam entre R$ 1.900 e R$ 4.000, conforme a potência escolhida. Por exemplo, um aparelho de 9.000 BTUs tende a ser mais acessível em comparação a um de 20.000 BTUs. É importante frisar que modelos com tecnologia inverter apresentam preço elevado.
Em termos de eficiência energética, o ar-condicionado split se destaca especialmente os modelos com tecnologia inverter, que podem economizar até 60% de energia. Essa economia é um fator crucial a ser considerado na hora da compra. Contudo, a instalação de um modelo split exige um técnico especializado, e o custo da instalação pode variar entre R$ 500 e R$ 1.000. Além disso, é imprescindível avaliar a estrutura do imóvel, pois em residências mais antigas, pode ser necessário realizar reformas para a instalação do aparelho.

Opção Tradicional: Ar-Condicionado de Janela
O ar-condicionado de janela, que pode ser instalado em janelas ou aberturas na parede, ainda é uma escolha viável para muitas pessoas. Seu preço varia entre R$ 1.300 e R$ 1.900, com modelos mais acessíveis tendo potência de 7.500 BTUs, e os mais caros chegando a 10.000 BTUs. A instalação desse tipo de aparelho, em muitos casos, pode ser mais econômica, especialmente se a residência já tiver a estrutura necessária para recebê-lo.
Se não houver a cavidade adequada na parede, outra solução consiste em usar uma armação específica para fixar o aparelho na janela. Portela ressalta que, caso a instalação elétrica já esteja dimensionada para o ar-condicionado de janela, fazer a transição para um sistema diferente exigirá adaptações. Nesse sentido, é crucial contratar um técnico de ar-condicionado e um eletricista para garantir que a nova instalação seja segura e eficiente.
Por outro lado, é preciso observar que, embora o modelo de janela seja mais acessível inicialmente, ele tende a consumir mais energia ao longo do tempo. Isso significa que a economia proporcionada pela instalação barata pode ser superada pelo alto custo na conta de luz.
Aparelhos Portáteis: Uma Solução Prática?
Os aparelhos de ar-condicionado portáteis têm sido alvo de críticas pela baixa eficiência em resfriar ambientes. Apesar disso, eles oferecem a vantagem da fácil instalação, podendo ser simplesmente conectados à tomada. Essa praticidade elimina a necessidade de realizar reformas na casa para instalação de outros modelos, além de permitir a mobilidade do aparelho entre diferentes cômodos.
Entretanto, Portela não recomenda essa opção, pois a eficiência desses equipamentos é inferior. Eles são mais adequados para casos específicos, e o custo com energia pode ser elevado. Os aparelhos portáteis têm preços que variam entre R$ 2.500 e R$ 3.500, tornando-se uma opção mais cara em relação aos modelos convencionais.
Potência Ideal para Seu Ambiente
O cálculo da potência em BTUs é uma etapa crucial na escolha do ar-condicionado. É importante levar em consideração as dimensões do cômodo onde o aparelho será instalado, além do número de janelas e a incidência solar. Em média, para ambientes sem luz solar direta, estima-se a necessidade de aproximadamente 600 BTUs por metro quadrado.
Já em locais que recebem luz solar, o consumo ideal chega a até 800 BTUs por metro quadrado. Além disso, deve-se considerar um adicional de 600 a 800 BTUs para cada pessoa no ambiente e mais 600 a 800 BTUs para cada aparelho que emite calor, como freezers, fogões, televisores, entre outros.

Dicas para Economizar Energia Durante o Verão
As altas temperaturas do verão impactam diretamente no consumo de energia elétrica, o que pode causar um aumento significativo na conta de luz. O uso constante de ar-condicionado, por exemplo, pode levar ao consumo excessivo de energia, que é um dos fatores mais comuns para elevação nas despesas mensais. Um ar-condicionado funcionando por 10 horas diariamente em um período de 20 dias pode consumir, em média, 116,8 kWh ao mês, conforme estudios realizados pela Light. Além do ar-condicionado, o chuveiro elétrico é outro responsável por altos níveis de consumo de energia.
Para ajudar os consumidores a economizar energia, Portela sugere o uso de ventiladores durante o dia para manter a circulação de ar, reservando o ar-condicionado para as noites. Ele recomenda também aproveitar atividades como banho em piscina ou banhos refrescantes, e manter a casa bem arejada. No início da noite, é ideal fechar as janelas e acionar os aparelhos, começando pelo da sala e, em seguida, os dos quartos.
Outro fator importante a considerar é a redução da exposição à luz solar. Mantenha os equipamentos de ar-condicionado em locais sombreados e utilize cortinas, toldos e persianas para minimizar a entrada de luz nos ambientes a serem refrigerados. A limpeza regular dos filtros do ar-condicionado é essencial não apenas para a eficiência do equipamento, mas também para a saúde, já que a sujeira acumulada pode propiciar o desenvolvimento de microorganismos prejudiciais.
Dicas Práticas para Uso Eficiente do Ar-Condicionado
- Realize a limpeza no filtro mensalmente e faça uma higienização completa pelo menos uma vez por ano, incluindo as lâminas do aparelho.
- Mantenha portas e janelas fechadas para evitar perda de ar frio e entrada de ar quente no ambiente.
- Feche as cortinas para não ter incidência de sol.
- Não coloque grade para bloquear a ventilação.
- Mantenha sempre a temperatura entre 20º e 24º.
- Sempre que sair, desligue o aparelho.
Além disso, é fundamental identificar outros aparelhos que consomem bastante energia em casa, como chuveiro elétrico, ferro de passar, micro-ondas, televisão, air fryer, cafeteira e geladeira. A recomendação é desligar as tomadas sempre que possível, já que esses dispositivos continuam consumindo energia, que pode parecer pequena, mas tem impacto ao longo do tempo.





