Em 2024, o Brasil viu a meta de inflação ser superada, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrando o ano com uma alta de 4,83%. A expectativa do Banco Central era que a inflação ficasse em 3%, com uma margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, mas o resultado acabou superando esse valor. O aumento da inflação pode ser atribuído à alta do dólar e a um cenário econômico aquecido, o que criou um ambiente de incertezas internas e impulsionou a moeda para uma cotação histórica.
O economista sênior do Banco Inter, André Valério, analisou os fatores que contribuíram para esse cenário, destacando a influência do impulso fiscal, que elevou o risco fiscal no Brasil e pressionou ainda mais o câmbio. O valor do dólar chegou a R$ 6,27 em dezembro de 2024, atingindo um recorde histórico.
O aumento nos custos de serviços também desempenhou um papel fundamental. O setor, que teve uma inflação acumulada de 4,78% durante o ano, continuou aquecido, contribuindo para a expansão da economia. Valério afirmou que esses fatores ajudaram a pressionar ainda mais a inflação nos últimos meses de 2024, sinalizando que a deterioração da economia local, combinada com uma alta do dólar, foi um dos maiores motores dessa aceleração.
2025 e os Desafios para a Inflação
Apesar de 2024 não ter sido o último ano com a meta da inflação descumprida, as expectativas para 2025 indicam que o cenário não deve mudar tão cedo. De acordo com Valério, as pressões inflacionárias persistirão em 2025, com a desvalorização da moeda brasileira sendo um dos fatores principais para a aceleração da inflação.
A crise cambial, alimentada pela maior aversão ao risco global, foi agravada pelos juros mais altos nos Estados Unidos e pela percepção de risco fiscal no Brasil, o que manteve o dólar em patamares elevados. O Banco Inter revisou suas previsões para o câmbio em 2025, ajustando a projeção de R$ 5,70 para R$ 6,00.
Os economistas preveem que a inflação atingirá um pico de 5,3% em abril de 2025, fechando o ano em 4,9%. No entanto, as projeções indicam que somente em fevereiro de 2026 o IPCA deverá voltar dentro da meta, com uma previsão de encerramento de 3,9%.
Mudanças na Estratégia do Banco Central
Em meio ao cenário de incertezas, o Banco Central terá um papel ainda mais importante no controle da inflação. A partir de 2025, um novo modelo de meta inflacionária será adotado, exigindo maior transparência nas ações do BC e maior justificativa caso a meta seja descumprida por seis meses consecutivos. Esse modelo deve ser mais rigoroso e direcionado a restringir a possibilidade de leniência no combate à inflação.
Essa nova metodologia fortalece o compromisso do BC com a estabilidade monetária, o que, segundo Valério, pode aumentar a pressão sobre a autoridade monetária para manter a inflação sob controle.
Perspectivas para a Selic
Com relação à política monetária, Valério afirma que a Selic seguirá em níveis elevados em 2025. A expectativa é de que a taxa atinja o patamar de 15% na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em maio. Os altos juros ainda são necessários para conter as expectativas de inflação, após um período de inflação descontrolada.
Contudo, há uma expectativa de que a Selic comece a cair nos últimos meses de 2025, caso o país consiga implementar um controle fiscal efetivo e evite choques econômicos globais. Essa desaceleração da inflação permitiria o início de um ciclo de corte nas taxas de juros, com a possibilidade da Selic fechar 2025 em 14%.




